Jornalismo na Internet

Projeto Experimental de Graduação apresentado em 29 de janeiro de 2001

 

JORNALISMO NA INTERNET

Quando notícias apenas não bastam


A NOVA MÍDIA

Tempo e espaço nas publicações eletrônicas

Para iniciarmos a discussão sobre a compressão espaço-temporal que estamos vivendo podemos tomar como exemplo o chavão da campanha publicitária da IBM - uma das mais importantes empresas de informática do mundo - "soluções para um mundo pequeno". Esse "encolhimento" progressivo, resultante da superação de barreiras espaciais em graus cada vez maiores, significaria a própria "supressão" do espaço, em conseqüência do processo que torna possível a transmissão de informações em "tempo real".

Castells argumenta que várias temporalidades subsistem, embora uma esteja emergindo como determinante: a que ele chama de tempo intemporal, próprio da estrutura de rede, onde passado e futuro se fundem num eterno presente. Essa noção de atemporalidade que situa os fatos na Internet está ligada também à noção de um espaço virtual onde as coisas acontecem e são atualizadas, informações são divulgadas, pessoas se comunicam, e tudo acontece sob um conceito de simultaneidade. Segundo Pierre Lévy,

"A noção de tempo real, inventada pelos informatas, resume bem a característica principal, o espírito da informática: a condensação no presente, na operação em andamento. O conhecimento de tipo operacional oferecido pela informática está em tempo real."

O jornalismo acompanha este processo de subversão da temporalidade, seguindo o caminho que já havia sido percorrido pela televisão quando introduziu o culto ao "ao vivo".

"Se a televisão assim se impôs, foi não só porque ela apresenta um espetáculo, mas também porque ela se tornou um meio de informação mais rápido que os outros, tecnologicamente apta, desde o fim dos anos 80, pelo sinal de satélites, a transmitir imagens instantaneamente, à velocidade da luz."

Além da possibilidade de disponibilizar informações a todo segundo, os sites noticiosos de publicações impressas procuram aproveitar os recursos multimídia de áudio e vídeo para enriquecer o conteúdo e reiterar o conceito de tempo real - o que a televisão e o rádio sempre conseguiram desempenhar melhor do que os impressos. "Pela primeira vez os jornais vão poder competir em igualdade com o rádio e a TV."

O impulso desta nova mídia é a velocidade. As informações digitalizadas ocupam "pouco espaço" e assim podem ser difundidas mais rapidamente. Segundo a jornalista e professora de comunicação da UFF Sylvia Moretzhon, em sua dissertação de mestrado A velocidade como fetiche, a base sobre a qual se desenvolve a percepção de "aceleração do tempo" repousa sobre a própria lógica do capital. Ela explica como o desenvolvimento dos meios de produção visa à aceleração e ao posterior lucro dos produtores. Neste ambiente também podemos incluir a produção de notícias e a evolução tecnológica das máquinas que "formatam" o jornalismo.

Considerando-se que, "se o dinheiro não tem um sentido independente do tempo e do espaço, sempre é possível buscar o lucro (...) alterando os modos de uso e definição do tempo e do espaço", Harvey baseia-se no padrão de circulação de capital para argumentar :

"Há um incentivo onipresente para a aceleração, por parte de capitalistas individuais, do seu tempo de giro com relação à média social, e para fazê-lo de modo a promover uma tendência social na direção de tempos médios de giros mais rápidos. (...) O efeito geral é, portanto, colocar no centro da modernidade capitalista a aceleração do ritmo dos processos econômicos e, em conseqüência, da vida social. (...)"

A aceleração na vida social propõe mudanças na aceleração da produção de notícias, que devem traduzir os acontecimentos do cotidiano. Foi assim com os jornais impressos, com o rádio, com a televisão e atualmente com a Internet. O desenvolvimento de novas tecnologias implica não somente uma transformação do formato da notícia mas também sua periodicidade.

Assim, no jornalismo de Internet, não se pode falar exatamente em periodicidade - fornecimento de informações em intervalos regulares. A atualização das publicações eletrônicas é feita de forma aleatória, de acordo com o ritmo dos acontecimentos - e quão veloz é esse ritmo em que vivemos... Este tipo de publicação propõe-se a veicular "notícias" a todo segundo, o que nos remete a uma prática antiga da concorrência entre empresas de comunicação: o esforço em mostrar os fatos em "primeira mão".

É em torno dessa idéia de dinamismo que a imagem da atividade jornalística se constrói. (...) Notícias de última hora: tudo é urgência. É a ideologia da velocidade e do progresso, no dizer de François Brune:

"Toda mobilidade é positiva: o mal maior é ser "ultrapassado". A maioria das competições é à base da velocidade, mas é em todos os domínios que é preciso andar depressa, pensar rápido, viver rápido (...)"

Diante destes fatores pode-se dizer que a lógica de pensar uma publicação eletrônica é completamente diferente de uma publicação impressa diária, semanal ou mensal. Há um comprometimento muito maior com a velocidade na transmissão da informação. Tais publicações apresentam, portanto, alguma semelhança com agências de notícias, no sentido da periodicidade da transmissão da informação.

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O público-alvo das publicações eletrônicas

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5.Sylvia Moretzhon, A velocidade como fetiche. Dissertação de mestrado em Comunicação, Informação e Imagem, 2000, cap.1 pag.25.
6.Manuel Castells, A era da informação: economia, sociedade e cultura,vol.1 - A sociedade em rede. São Paulo, Paz & Terra, 1999, p. 459
7.Pierre Lévy, As tecnologias da Inteligência, coleção TRANS, editora 34, 1993, cap. 2, p. 115
8.Ignacio Ramonet. op.cit., p. 26
9.Online papers and effective use of audio online, by J.D.Lasica http://www.ajr.org March 1999
10.Moretzhon, S. op.cit., cap.1 pag.22
11.David Harvey. Condição Pós-Moderna. São Paulo, Loyloa, 1993, p. 209-210
12.Moretzhon , S. op.cit., cap.1, pág. 41
13.François Brune: "L'ideologie d'aujourd'hui ", in: Manière de Voir (hors-série), Le Monde Diplomatique, março de 1997, p.11

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